Nasci em Tapes no ano de 1972 e por influência do
romance Doutor Jivago, do escritor Boris Pasternak, chamo-me Yuri; Yuri Gross.
Essa espécie de carma se estendeu por toda prole de meu pai: Meu irmão do meio
chamou-se Dimitri, d´Os Irmãos Karamazovi de Dostoievski e minha irmã caçula
chama-se Natália, “aportuguesamento” de Natacha, do Tchekhov, o mestre dos
contos, especificamente d’As Três Irmãs. Meu velho pai, apaixonado por autores
russos, morreu em 87 de câncer e minha mãe e meu irmão no final de 91 em um
assalto. Fora a saudade, confesso que sou bem grato a tudo que meus pais me
ofereceram e mesmo sabendo que estou traindo a Irmandade dos Santos do Pau Oco,
reconheço que sou agradecido inclusive pelas chineladas e puxões de orelha.
Lembro de ter alguns livros quando era pequeno e
que, oxalá, esses impressos realmente eram literatura, contudo acredito que
minha apreciação por está arte começou mais tarde, já na adolescência, quando
eu escrevia algumas frases desconectas, que lembravam o corpo de um poema e que
rimavam no final - tudo com palavras fortes e passionais - para assim seduzir
algumas meninas.
Talvez porque alguns dos pseudopoemas deram
resultado ou talvez pela mesma vontade que move o operário - aquele que beija
os filhos antes de acordarem e só os vê novamente depois que já dormiram - eu
continue a escrever. Tudo Bem! Também pode ser porque tenho 1,93m e peso 120kg,
o que certamente desencoraja qualquer um que pense em me dizer para mudar de
ramo. No entanto, tenho certeza que escrever é dar vida a uma folha de papel e
que dada está vida à folha, nos resta pular de cima de uma linha para outra,
com a caneta na mão, se equilibrando.
Yuri Gross
ProfessorAcadêmico do curso de Letras/ Literatura Brasileira
Primeiro lugar no Concurso Klabin/ Riocell – Categoria Poesia/2000
Selecionado no Concurso Histórias do Trabalho/ PMPA – Categoria Crônica/2001
Cronista do Jornal Regional Armazém de Notícias






