quarta-feira, 29 de agosto de 2012

 

 
 
 
Dia do Palhaço

            Em dias difíceis como os de hoje, muitas pessoas ou exercem mais de uma função profissional ou até executam tarefas sem as mínimas condições de trabalho, oferecendo muitos riscos para sua saúde e até para sua integridade física. Assim tentam garantir condições um pouco mais dignas de vida. Eu também tô nessa batalha.

Além do curso superior que freqüento, trabalho com Literatura Brasileira em três escolas, escrevo para este jornal – o que é fácil de presumir – e mantenho uma empresa de apoio à outras firmas que necessitem comunicar-se com seus mercados - tudo graças a paciência de algumas pessoas que muito colaboram para minhas conquistas. No entanto estimado leitor, não pretendo aqui fazer uma autobiografia, então não se assuste. Não sofro de uma crise de megalomania compulsiva, capaz de me fazer acreditar que isso só acontece comigo, como prova minha introdução nesse relato. Muito menos irei começar mais um calvário de lamúrias trágicas, até porque senão cômicas; lindas e daí tocando a outros gêneros literários. Devo sim, aqui, fotografar um momento e sendo pertinente é o que faço a seguir.

Como qualquer um desse que pretendem chegar a algum lugar através da labuta, um dia desses, eu estava fazendo a minha parte: desenvolvia uma pesquisa de datas comemorativas para um anunciante de um jornal local. Esse tipo de pesquisa, na área de divulgação é comum e não tem nada de especial. O que aconteceu de particular se refere ao dia dez de dezembro, o Dia da Declaração  Mundial dos Direitos Humanos. Tal declaração foi assinada em Paris, no ano de 1948 e a partir dela surgiram alguns prerrogativas que hoje garantem ao cidadão comum o direito a moradia, a alimentação, a saúde e outros tantos. Até aí nada de anormal, né? Relatei que no dia tal é comemorado tal coisa. Que a tal coisa serviu de base para um monte de lei que não são cumpridas. Viu? Tudo normal! Mas espere. Tem mais. No dia dez de dezembro, no Brasil, também é comemorado o Dia do Palhaço. Isso mesmo, o Dia do Palhaço.

No início eu senti um desconforto. Sei lá o que era. Talvez pela situação de desigualdade social vigente no país, com tanta gente vivendo mal e trabalhando muito pra ganhar ninharia. Em seguida me deu um pouco de falta de ar. Até porque comemorar o Dia do Palhaço no mesmo dia da Declaração dos Direitos Humanos, com tanta disparidade, com tanto absurdo, com tanto sofrimento por aí, tá na cara que é piada. Mas depois foi passando. Com o tempo tudo se ajeita. Afinal a vida é assim mesmo. Deus sabe o que faz. Fazer o que também? A gente trabalha feito louco, chega em casa cansado, como é que vai se envolver em disputa política por uma vida melhor? Não, melhor não. Depois a gente se enrola, as pessoas pegam a falar mal... Melhor assim, em casa descansando; vendo a novela. E quanto ao tal desconforto e a falta de ar é só durante dia, porque quando chego em casa, a noitinha, a primeira coisa que faço é tirar o nariz vermelho. 

 

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