Eu quis morrer.
Quando eu
descobri que minha professora do ensino fundamental era casada, eu quis morrer,
mas não morri.
Quando a minha primeira namorada me contou que
beijou outro cara nas férias em Santa Catarina, eu também quis morrer e não
morri.
A primeira vez
que olhei para os lados e me vi sozinho, eu quis morrer. Apesar disso, não
morri.
Minha vida foi
passando, passando, passando e nesse tango eu percebi que nem tudo que se quer
se consegue. Lógico que essa constatação fez com que eu quisesse morrer, assim
como, obedecendo a essa espécie de silogismo, eu não morri.
Hoje, cada vez
que eu quero morrer nasce um texto. Eles são como cadáveres espalhados ao meu
redor, me lembrando constantemente quanto de dor e amor cabe em um homem. São
cadáveres de olhos abertos, que me encaram e quase todo dia um me chama prá
conversar. Algumas vezes eu não estou para conversas, outras falamos horas.
Porém, em todo encontro, lembro da intensidade com que vivo e de como é bom
sobreviver prá fazer da vida uma história.
Yuri Gross
Acadêmico de Letras/ Literatura
Brasileira

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